E mais um autoral que chorei em 22, chorei em 23 e choro toda vez que lembro em ter mandado a foto do Pai do Zezinho em 22 no abraço um tanto quanto dolorido e ter falado que o outro abraço seria forte, com lágrimas, mas sem nenhuma dor. E ah W2 GP minha casa, que saudades que estou de vocês!!!!!!
Interlagos já estava quase vazia após coroar Rubens Barrichello como Campeão da Stock Car mais uma vez. O sol já começava a se esconder, mas aquela categoria que muitos ainda não davam valor não havia terminado; a Stock Series.
Era minha primeira vez cobrindo a maior categoria do automobilismo nacional como imprensa e naquele momento eu deixei a emoção falar mais alto, um pouco de falta de experiência talvez, mas aquela ali era uma torcedora vestida de imprensa por minutos. Naquele fim de semana três pilotos chegaram com chances matemáticas de levar o título, mas algo nos dizia que seria muito difícil de tirar o troféu do Victor Baptista, a qualy, a pole, tudo estava conspirando a favor de Baptista, mas quem torce nunca desiste.
Aquela corrida confirmou o sentimento (aqui eu pulo todo o momento que achei desnecessária a ultrapassagem quase que na última curva e tudo que meus amigos ouviram) que tínhamos: Baptista campeão. Sim, foi merecido pelo conjunto carro e piloto, mas o segundo lugar foi dolorido e por segundos voltei a me vestir do estava ali a fazer e tirei não fotos perfeitas, mas com significado que ultrapassava tudo. Naquele momento eu disse: eu farei essa mesma foto, com choro e tudo, mas o sentimento será outro.


Viramos o ano para 2023 e a competição começou com algumas mudanças significativas, principalmente na parte da premiação que já colocaria o campeão da temporada para correr na Pro. Mas confesso que por uma fração de momento temi ao ver o grid, era o dobro do ano anterior, com um mix de veteranos que ainda não conseguiram chegar na Pro e jovens que esbanjavam talento. Passou. Pois ele também era um dos jovens que estava nessa prateleira de quem tinha talento para dar, vender, emprestar…
A primeira corrida deu um ânimo para quem torcia e um desânimo em quem comentava, pois ele ganhou tudo o que era possível ser ganho naquele fim de semana em Interlagos. O medo de quem comentava era que a temporada fosse assim: fácil para ele que já estava acostumado com o carro e com a mesma equipe. Mas convenhamos, vocês conhecem automobilismo há mais tempo que eu e sabem que a Stock não lembra em nada a Formula 1. A probabilidade de existir uma equipe/carro dominante, nenhum carro bater e outros fatores não é a mesma. Nem de longe.
E assim a temporada mostrou. Infelizmente não acompanhei nenhuma corrida in loco, tentei estar no Velocitta mas nem sempre as coisas saem como queremos, estava mais uma vez em casa torcendo como ninguém. Que temporada apertada. Que temporada tensa. Até troca de primeiro lugar tivemos, por pouco tempo mas tivemos.
Nem sempre ele foi o dono do melhor carro, nem sempre a corrida foi favorável, a ansiedade bateu algumas vezes e pequenos erros foram cometidos, e a diferença entre os primeiros nunca chegou a ser grande, foi uma perseguição de deixar qualquer um nervoso. Mais altos do que baixos, mais sorrisos do que cara fechada, mas nada ganho em nenhum momento.
E então Interlagos, sempre você Interlagos… agora era um 16 e 17 de dezembro, mas aquele dia 11 assombrava de certa forma, pois mais uma vez três pilotos chegavam com chance de título, sendo um deles um veterano, um piloto que já ganhou a categoria quando ainda tinha o nome de Light, não seria fácil.
Dessa vez eu não estava de imprensa, mas eu estava e era tudo que me bastava. Não precisaria torcer com um terço em cada lado da televisão, e finalmente veria uma corrida, ou melhor, três corridas. Ah se fosse como sábado. Parecia o começo da temporada. A qualy perfeita, a corrida perfeita, liderança de ponta a ponta e com sobra. Estava fácil demais.

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E então dia 17 chegou. Era difícil esconder o nervosismo. Qualquer um ali tinha total confiança no trabalho feito o ano inteiro pela equipe e o trabalho dele, o quanto ele se esforçou fisicamente e mentalmente para chegar naquele ponto. Mas mais uma vez eu lembro que automobilismo é algo muito instável e mesmo com o pódio da corrida 2, não dava para cravar nada. Para que repetir o começo do ano onde ele passeou e fez daquela pista o que quis se poderia deixar a todos com os nervos a flor da pele?
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Era nítido que o rendimento do carro estava caminhando a zero, mas tanta luta não seria em vão, dessa vez não. Eram 75% da prova a serem completos, que longos 15 minutos até que alguém começou de dentro do box a gritar: DEZ, NOVE, OITO, SETE… UM! Os 75% estavam completos e lá estava ele na pista segurando o carro como gente grande (desculpa o trocadilho com a sua altura). O grito de CAMPEÃO saiu. E tinha que ser no Templo do automobilismo, tinha que ser suado para além de tudo mostrar que ele não ganhou em um ano com um grid fraco, sem disputa, foi na raça, na dedicação de todos e principalmente dele.
Dois milhões e meio de Reais, campeão da Stock Series de 2023 e o 11 de dezembro de 2022 acabou. Podemos escrever o 17 de dezembro de 2023, com o final que todos sonharam e eu, aquele ser que ousou sonhar o sonho que nem era meu, também estava. Para que sair bem em foto? Para que se preocupar com o cabelo lotado de champagne, era campeão e isso bastava!
A foto? Eu não era imprensa para ficar numa posição privilegiada e nem grudaria na grade para tirar o espaço que cabia a família e amigos, mas ao assistir meu vídeo… ah que surpresa gostosa, olha ela aí!

Parabéns Zezinho Muggiati, comemora muito que você lutou por esse dia como ninguém, #38 “desde criancinha” e assim serei na Pro. Lá o mundo é mais difícil, mas deixa para pensar nisso ano que vem, agora só comemora o que você sonhou desde sempre. É teu. 2023 é seu nome que está escrito e ficará escrito para sempre para que outros Zezinhos te tenham como inspiração.
Dados de Zezinho na temporada de 2023 cedidos pela Vicar:
Vitórias: 7
Poles: 4
Pódios: 13
Voltas mais rápidas: 7
Equipe: W2 Racing ProGP
Chefes: Duda Pamplona e Serafin Jr.
Sede: Rio de Janeiro (RJ)
Texto e fotos por: Monique Marie






