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TBT Autoral: Rubens Barrichello – O Campeão dos Campeões

É difícil escolher textos autorais, mas sempre existem aqueles que significam o mundo para você. Hoje, 08 de outubro de 2026, venho com o TBT de dois textos que significam o que é amar automobilismo para mim.

O Campeão dos Campeões

O dia era 11 de dezembro do ano de 2022. O local era o templo sagrado de Interlagos. E esse não é mais um texto de números, recordes e gráficos. É um espaço para exaltar aquele que sempre esteve lá, mesmo sabendo da responsabilidade que tinha em ser o próximo Brasileiro a estar em um Fórmula 1 pós Senna. Eu me permiti não levar o automobilismo, principalmente a principal e mais conhecida categoria, como um dever patriota depois de perder Ayrton, mas não tinha como não nutrir um carinho especial por aquele cara.

Foram anos a fio sendo o segundo, sendo o que seria hoje conhecido como meme. Mas será que alguém algum dia parou para pensar e analisar de verdade o trabalho dele? Ele não era e nunca foi o segundo, ele nunca chegou depois, ele era o cara que segurava um grid inteiro para que aquele alemão que tinha o contrato principal pudesse se desgarrar da tropa. Ouso dizer que não existiria a era Ferrari desse alemão se ele não fosse o seu companheiro de equipe. Ele sabia o que estava fazendo, ele sabia guiar como poucos e ele sabia o ponto certo onde ele era campeão e  brilhava: na forma que deixava seu companheiro ser o centro das atenções e ele, da sua maneira, uma lenda dentro daquela equipe.

Vitórias vieram, poles, pódios, mas aparentemente se o título não viesse ele não seria considerado bom o bastante pela massa que estava à espera de um novo ídolo. Só não enxergou quem não entende, o novo ídolo estava ali, de uma maneira diferente do anterior, mas estava. Estava ao continuar levando a nossa bandeira ao redor do mundo com maestria e orgulho, ao chorar com cada conquista e mostrar que aquele esporte que estava cada vez mais tecnológico era ainda pilotado por um ser humano, extremamente humano. Um cara que o tempo não passava, que parecia incansável em todas as formas.

Então veio o ano de 2009 e uma tal de Brawn. Eu ainda continuava com minha torcida finlandesa, mas aquele ano doeu. Doeu porque todo brasileiro tendo ele como seu piloto preferido ou não, em algum momento achou que dava, eu acreditei que dava. E a prova que não estávamos errados foi que seu companheiro de equipe levou o campeonato, mas sinceramente, foram 77 pontos para o regulamento da época… dava. Dezenove temporadas sem parar, nas maiores equipes, com os mais competitivos pilotos e com o tempo batendo a sua porta. Ele merecia um campeonato, não porque precisasse provar algum ponto para alguém ou até porque precisasse mostrar ao país que ele podia, ele merecia pelo que ele fez e foi durante todos esses anos.

Ele merecia por ele, pra ele e mais ninguém. Mas quem tem a adrenalina em alta e o bichinho do automobilismo não sabe parar, a Fórmula 1 em 2011 não foi o fim, era apenas um ciclo que dava ponte para outros, até chegar naquela que é a categoria mais conhecida no Brasil e na América do Sul, a Stock Car. Também não falarei de vitórias, poles e estatísticas, mas aqui cabe falar de título, cabe falar daquilo que tantos pediram por muito tempo, título. Em 2014 no seu segundo ano completo na categoria ele veio, mas porque não é dele que eu quero falar? Porque em 2022, nessa tal de Interlagos, esse carinha aí já tinha completado 50 anos, um jovem, mas um jovem não como a imensa maioria do grid, já que também vimos no ponto mais alto do pódio um piloto de 19 anos. Alguns podem ter considerado essa corrida em especial como um anti-clímax pela forma que ela terminou, mas na pista esse jovem de 50 anos estava levando a melhor contra seus três concorrentes. No final foram 298 pontos, dois filhos que não cabiam dentro de si correndo até o carro e aquele coro que eu acostumei a ouvir lá atrás: “Rubinho… Rubinho”.

O jovem era campeão da Stock Car pela segunda vez, em um fim de semana que teve o filho mais novo com vitória na Formula 4 e o sobrinho também, definitivamente era o final de semana dos Barrichello e era o final de semana para esse cara ter a certeza que a idade para ele é realmente só um número, que ele É o cara e É o ídolo que uma geração esperou tanto. É só saber enxergar o que foi feito durante esses longos anos e sentir orgulho de quem ele é e do que ele representa. Eu estava na arquibancada em 2009 assistindo com o coração na boca o Button ser campeão e ficar na garganta o grito com o nome dele, mas quis a vida que eu também estivesse em 2022, de uma forma diferente e podendo soltar aquilo que estava preso há tantos anos em mim: É CAMPEÃO RUBINHO! Levanta a taça, chore, comemore, aproveite e nunca, jamais esqueça que você É o cara, que você fez acontecer durante anos e que você não deve uma vírgula a esse país, nós é que devemos a você: toda a reverência do mundo!

Texto por: @momarieoliveira_

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