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Break nas news para uma super entrevista com o piloto Matheus Santos da Projetax

Estamos em uma semana completamente louca com a decisão do Campeonato da Fórmula-1, sim esse ano tivemos de fato um campeonato, Abertura da Temporada 2025/2026 da Formula E no Anhembi em São Paulo, também em São Paulo no templo Sagrado de Interlagos temos a final da Nascar Brasil, da Copa Truck e da Copa HB20 e em Brasília a final da Endurance Brasil! Como disse esses dias, haja “race” para pouca “week”!

Então vou dar um break nas news de tantas corridas e categorias para contar um pouco sobre um projeto muito legal e principalmente a entrevista (essa é a primeira!) com um dos pilotos. Mas então, que projeto é esse? Vou introduzir, sem me aprofundar, na Projetax, já que está nos planos um post só deles!

A Projetax tem como missão promover a inclusão social e o acesso de pilotos com deficiência no automobilismo nacional, uma iniciativa inédita no Brasil.

Um projeto único e inédito no Brasil, cuja missão é quebrar barreiras, destacando pilotos com deficiências diversas que podem competir de igual para igual nas principais categorias do automobilismo, além de atuar com empresas e atletas de esportes de alta performance. Entre os pilares e valores que a Projetax acredita estão: superação, inclusão, inspiração e diversidade.

E para terem uma noção prática do Projeto, o site conversou com o piloto Matheus Santos que já conquistou boas coisas no meio, mas temos certeza que ainda tem um grande caminho a trilhar. Vamos então conhecer mais?

PSC (Parece sigla de partido né rs?) – Antes de entrarmos no seu momento atual, poderia da forma que se sentir melhor, contar um pouco para quem ainda não te conhece o que você tem e no que ele poderia te impedir de fazer?

MS: Eu tenho uma deficiência de nascença chamada mielomeningocele, ela é uma má formação na coluna e afeta o desenvolvimento dos membros inferiores, afetando a sensibilidade e a sustentação do corpo.

PSC – O seu diagnóstico não foi impeditivo para você colocar em prática muito do que gostaria, mas naquilo que exerce, te afeta de alguma maneira como sentir incômodo, dores ou outros?

MS: Eu não sinto dores ou incômodos, mas sempre é bom tomar cuidado com lesões por pressão ou até possíveis machucados que podem ocorrer por eu não sentir os membros inferiores.

PSC – Pesquisando sobre sua história, sei que começou também trabalhando em Empresas e não deixou o estudo de lado antes de entrar com tudo no automobilismo.  Qual a diferença na dificuldade na hora de arrumar um emprego e na hora de ter um assento para correr, qual deles apresentou mais empecilhos? Não coloquei os estudos pois acredito e espero que essa parte você não tenha enfrentado problemas para encontrar a escola com as devidas adaptações, mas se encontrou dificuldade e quiser falar sobre, sinta-se a vontade.

MS: No trabalho sempre há uma questão de adaptação da própria empresa, pois ela tem que estar preparada para receber um PCD, fazer rampas ou banheiros maiores, não soluciona todos os problemas, é um papel fundamental da empresa, entender as necessidades do PCD, já passei muitas dificuldades dentro de algumas empresas, como banheiros inacessíveis ou locais sem acessibilidade.

No Automobilismo muitos desacreditaram quando eu falava que queria ser piloto, falavam que os carros não tinham como adaptar, ou que a adaptação só existia fora do país. Até surgirem pessoas na minha vida que acreditaram no projeto e o fizeram acontecer demorou uns 8 anos.

PSC– Já no mundo do automobilismo, como a grande maioria, começou no Kart em 2020 em um projeto de kart adaptado e em 2024 foi convidado para correr a AMG Cup (que faz parte do Campeonato Paulista de Automobilismo) que é um carro de Turismo. Você sentiu diferença na questão da acessibilidade (como chegar, autódromos, boxes) entre os dois? Se sim, quais foram?

MS: Por incrível que pareça o kartódromo tem muito mais acessibilidade do que muitos autódromos que já andei, em questão de acessibilidade nos autódromos, muita coisa mudou, depois que comecei a estar mais frequente nas corridas.

PSC– Gostaria de contar mais sobre o projeto do Kart adaptado que foi convidado e também sobre o convite da AMG Cup? Posso estar errada, mas me arrisco a dizer que a AMG Cup pelo tamanho e por estar inserida em um Campeonato grande e conhecido lhe ajudou a ter mais visibilidade e também a inspirar mais pessoas a seguirem esse sonho?

MS: Eu sempre frequentei o autódromo de Goiânia e sempre disse as pessoas sobre o meu sonho de pilotar. Então um dia, o Breno que é CEO da academia de pilotos de Goiânia, me ligou dizendo que estava querendo desenvolver um kart adaptado e precisava de um piloto com deficiência que pudesse ajudá-los a entender como seria feita a melhor adaptação, eu ajudei a desenvolver toda a parte de adaptação do kart com a Academia de Pilotos de Goiânia, então tudo que eu necessitava de alterar ou precisava para a acessibilidade o pessoal da academia me ajudava, inclusive, todas as primeiras aulas de kart e aprendizado que levei para o carro aprendi com eles, enquanto desenvolvia o kart.

Agora falando dos carros quando o Betão Fonseca ( CEO da AMG Cup Brasil) me convidou, eu estava em uma etapa do Paulista que foi em conjunto da Turismo Nacional, eu estava parado na frente do box dele, admirando os carros da Mercedes, e aí eu não sabia quem ele era, ele estava de macacão, contei minha história pra ele, e ele me perguntou se meu sonho era mesmo pilotar, eu disse que SIM. Logo no Briefing ele fez o anúncio, fizemos toda a adaptação e layout do carro em um curto espaço de tempo, todos os pilotos da categoria ficaram muito felizes com essa inclusão e se propuseram a ajudar a desenvolver o carro e me ajudar na pilotagem. Quando me anunciaram na AMG Cup Brasil, foi um alvoroço, recebi mensagens de vários pilotos de outras categorias que me acompanhavam desde o início do sonho.

PSC– Antes de fazer parte da PROJETAX você já deve ter pensado em formas de trazer mais pessoas com o mesmo diagnóstico seu, parecido ou algo que achassem que poderia os impedir de fazer o mesmo. Posto isto, conversou com pessoas a respeito, fez/começou algum trabalho ou projeto para tal?

MS: Eu já ouvia histórias de alguns pilotos com deficiência que já haviam corrido em algumas categorias, mas por falta de patrocínio acabavam não competindo por vários anos.

PSC – Como foi o caminho de conhecer o que é e quem faz parte da PROJETAX, ser um assessorado deles e qual a mudança sentida na sua carreira e também na vida?

MS: Quem me conectou com o pessoal da Projetax foi um patrocinador meu que também patrocina o Douglas Mattos.

Mas posso afirmar que eu cheguei antes da Projetax existir haha. Quando nós éramos 4 malucos com o mesmo sonho. Levar a inclusão e a acessibilidade para o automobilismo, mudando a vida de pessoas e famílias das pessoas com deficiência, levando o máximo de pessoas possíveis para esse mundo que até então eles achavam que era inacessível.

PSC – Para que os outros possam entender com maior clareza, qual você acha que é a importância em ter uma agência com assessoria especializada e atenta às necessidades de pessoas PCD?

MS: Não só no Automobilismo, mas nos esportes no geral. Pessoas com deficiência também sonham em fazer esportes e seguir carreira como atletas e tendo uma agência como a Projetax que dá visibilidade e atenção para essas pessoas com deficiência, mostrando ao mundo que todos nós podemos estar no mesmo meio competindo de igual para igual e crescendo mais e mais os esportes.

PSC – Quais foram as suas maiores conquistas? Vale desde ter conseguido seu primeiro emprego até ver seus amigos comemorando uma volta rápida sua.

MS: Acho que minha maior conquista foi ver minha família, me ver realmente como um piloto profissional de automobilismo e não só o garoto sonhador. Isso foi visível na minha primeira corrida em Goiânia, onde muitos familiares e amigos foram me assistir correr em casa.

PSC – Para finalizar, a pergunta óbvia de fim de temporada, quais são seus planos para 2026? Ainda estão em aberto, ainda à procura de patrocinadores (que aliás se quiser usar o espaço para fazer esse “apelo” aos patrocinadores deste meio) ou é Top Secret e vamos descobrir ano que vem?

MS: Ainda estamos a procura de novos patrocinadores para o projeto de 2026, meu sonho é voltar para as pistas e continuar mostrando a inclusão dentro do Automobilismo, lógico que a AMG sempre será a minha escolha mais óbvia, mas quem sabe em 2026 eu também apareça em outras categorias.

PSC – Gostaria de agradecer seu tempo e sua disposição em atender ao Site, falar que sim, você é um grande exemplo em um mundo tão fechado como o automobilismo, desejo que tenha muita saúde em primeiro lugar e depois muita velocidade nesse sangue, para que uma hora vire algo maior de pilotos como você! Parabéns por todo seu caminho até aqui e que ele só cresça!

MS: Eu que agradeço a oportunidade de poder contar a minha história e dizer que fico muito feliz em levar a Projetax e o projeto para crescer mais e mais.

Incrível não? Espero trazer ao site mais histórias como a do Matheus, que saíram da mente e do papel e viraram realidade. E que ele sirva de inspiração para todos os PCDs que pensam “eu quero, mas não posso”, vocês podem sim!

Para entrar em contato com a Projetax é só mandar um email para o contato@pitstopcast.com.br que repasso à pessoa responsável. E se você não é PCD mas quer ajudar a divulgar ou ser um apoiador, entra em contato também, esse trabalho de “formiguinha” vai bem mais longe do que pensamos!

Na entrevista já agradeci ao Matheus pelo tempo disponível, mas falta agradecer a nossa ponte oficial, a Beatriz que trabalha no meio e muitos conhecem pela Stock Car Pro Series e Moto GP 1000. Bia, obrigada por tornar realidade a ideia e conto contigo para as próximas! Aliás, contato com a Assessoria de Imprensa da Bia é só contatar pelo email ou whatsapp (posso ressaltar que ela é INCRÍVEL?):

Bia Press Agency
Beatriz de Paula
Tel. + (11) 98405-8485 / imprensa@biapress.com.br

Crédito das Fotos: Caíque Roberto

Já quero opiniões e email lotado hein? Esperem por mais! 🙂

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